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Festas de fim de ano: fogos de artifício e som alto podem prejudicar a audição

As preparações para as festas de fim de ano já começaram. Em meio a alegria e comemoração, a tendência é se jogar nas festividades sem pensar em problemas. Porém, para evitar dores de cabeça futuras, é fundamental ter cuidado com a audição, devido ao intenso volume das músicas e dos fogos de artifício, muito comuns nessa época.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 7 mil pessoas sofreram lesões decorrentes do uso de fogos de artifício nos últimos anos, incluindo problemas auditivos. Erica Bacchetti, fonoaudióloga da clínica ParaOuvir, explica que, dependendo da intensidade do som ao qual o indivíduo é exposto, ele pode ter a saúde gravemente afetada. “Essas queimas de fogos de fim de ano são um perigo, especialmente aquelas feitas por ‘amadores’, pessoas que saem na rua estourando rojão”, alerta.

Segundo a especialista, a dica para aproveitar as comemorações sem colocar a saúde em risco é manter distância do barulho dos artefatos explosivos e das músicas altas. “É importante ficar afastado das fontes de muito barulho. Em lugares com música ao vivo, ficar longe da caixa de som, por exemplo”. Ela completa que, se for manusear algum fogo de artifício em casa, é interessante procurar os produtos que não sejam muito barulhentos. 

“Toda atenção é necessária, porque uma vez que o indivíduo sofre um trauma acústico, como chamamos, ele não se recupera mais.” Caso não seja possível evitar os barulhos altos, a fonoaudióloga orienta um repouso auditivo no dia seguinte.

Sinais de problemas auditivos 

Erica explica que, caso haja algum dano à audição, os sintomas podem ser zumbido e dificuldade para ouvir, como se o ouvido estivesse tampado. “É sinal de uma hipoacusia”, afirma. De acordo com a fonoaudióloga, se for uma alteração temporária, a audição da pessoa voltará ao normal após o descanso. Mas, em casos de os sintomas persistirem, é preciso procurar um médico otorrinolaringologista para fazer um diagnóstico.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que atualmente cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo já têm algum tipo de deficiência auditiva. No Brasil, há 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, segundo um estudo feito em conjunto pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda. Desse total, 2,3 milhões têm deficiência severa. A surdez atinge 54% de homens e 46% de mulheres.

Cuidados com os pets 

Nas comemorações de fim de ano, quem tem bichinhos de estimação em casa deve ficar atento. Isso porque os ruídos provocados pelos fogos de artifício podem gerar graves complicações para os pets, principalmente para os cães. “Há cachorros que começam a se lamber e se morder mais, e alguns ficam tão assustados que saem correndo e acabam batendo em estruturas da casa e se machucando”, explica Bruno Alvarenga dos Santos, professor de medicina veterinária do CEUB. 

De acordo com ele, os riscos são ainda maiores para os animais que sofrem de doenças como epilepsia e cardiopatia. “Os cães epiléticos podem acabar tendo uma convulsão, e os cardiopatas podem ter aumento de pressão por conta do medo, o que pode levar até mesmo ao óbito do animal ”, alerta. Para evitar que isso aconteça, é importante que os tutores tomem alguns cuidados. “No caso dos bichinhos que têm doenças e que podem morrer ou se machucar seriamente por causa do susto, há opções farmacológicas, como calmantes naturais ou, até mesmo, ansiolíticos”, afirma Alvarenga.

“Nos demais casos, há algumas medidas simples que podem ser adotadas em casa, como colocar um pouco de algodão no ouvido do animal, ficar com ele no colo, preparar um esconderijo acolchoado para ele se abrigar na hora da virada e deixar outros barulhos correndo ao mesmo tempo dos fogos, como o som da TV ou do rádio”, acrescenta o especialista. Ele explica que, em relação aos gatos, não é comum observar uma mudança de comportamento significativa durante a virada, mas é importante ficar atento ao pet nos dias seguintes ao réveillon. “Por conta do estresse, eles podem parar de comer ou de  tomar água, e isso pode acabar desencadeando algumas complicações mais sérias”, conclui. 

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