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ONGs protestam contra o fim do auxílio emergencial no próximo dia 9

“NÃO AO FIM DO AUXÍLIO EMERGENCIAL!”. É esse o apelo que a ONG Rio de Paz fará durante manifestação na próxima quarta-feira (09/12), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a partir das 6h. A Rio de Paz se deslocou para Brasília porque a cidade é o centro do poder do país. No DF, a ação conta com o apoio da ONG Visão Mundial, que vai acompanhar os integrantes da Rio de Paz, levando-os à comunidade Santa Luzia, na Estrutural. Lá, eles conhecerão a realidade de um dos locais mais necessitados do DF, e ouvirão depoimentos de moradores, que servirão de embasamento para o protesto no dia 9. 

Conhecida pelos seus protestos cujas imagens correm o mundo, desta vez, a ONG vai erguer, no local, vários barracos simulando uma favela, com uma mesa de 5 metros cheia de pratos vazios e ocupada por famílias que dependem do auxílio emergencial, que termina esse mês e não deverá ser prorrogado, como já anunciou o governo federal. 

O Rio de Paz tem percorrido as comunidades cariocas ouvindo os moradores que sobrevivem desse benefício. Os relatos são desesperadores porque a ajuda é usada para comprar alimentos e, sem essa ela, todos temem passar fome, já que pandemia não acabou e não há emprego.  

Para o presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, essas pessoas serão as mais afetadas com o fim do benefício que recebem desde maio. 

“Acabar com auxílio emergencial é crime. Estamos dentro da favela. Visitando barracos. Ouvindo moradores. Vai bater desespero no desempregado. Desempregado não por ser vagabundo, como se costuma rotular o pobre que não trabalha, mas por não encontrar emprego por mais que se esforce. Essa dívida social é do Estado brasileiro, e só pode ser paga por ele”, disse Antônio Carlos. 

Segundo o Ministério da Cidadania, mais de 66 milhões de pessoas recebem o auxílio emergencial. Se contabilizado o número de integrantes de uma família, a ajuda chega a mais de 126 milhões de brasileiros, o que corresponde a 60% da população do Brasil. 

No último dia 24, ao ser questionado sobre a possível prorrogação do auxílio emergencial, o presidente Jair Bolsonaro disse torcer para que isso não ocorra e respondeu. “Pergunta para o vírus”. 

PROTESTO NAS REDES SOCIAIS 

A campanha pela permanência do auxílio emergencial pelo Rio de Paz começou há alguns dias em suas redes sociais @riodepaz. Nelas, estão publicados vídeos de pessoas contando como passarão a viver sem essa ajuda. Os posts também pedem que seja compartilhada a #NãoAoFimDoAuxílioEmergencial.  

PANDEMIA  

De março até setembro, o Rio de Paz distribuiu 30 mil quentinhas, 3.400 cestas básicas, 150 mil hambúrgueres e cartões alimentação a moradores das favelas do Rio, como Jacarezinho e Mandela, na Zona Norte. Além dos alimentos, durante a crise sanitária, a ONG doou 2.500 kits de higiene, 6.500 máscaras, dois mil folhetos com informações sobre o coronavírus e produziu um vídeo sobre a covid-19 para circular no WhatsApp moradores das favelas e nas redes sociais.  

O Rio de Paz também organizou duas manifestações na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio este ano. Os protestos foram para mostrar o descaso com que o governo vem tratando a pandemia e em memória dos mortos pela covid-19 que, em agosto, chegou a 100 mil brasileiros. Quatro meses depois, temos quase 200 mil mortos pela doença. 

AUXÍLIO EMERGENCIAL 

O auxílio emergencial foi criado para trabalhadores informais, desempregados, microempreendedores individuais (MEIs) de famílias de baixa renda e trabalhadores intermitentes inativos por conta da chegada da Covid-19. 

O Brasil tem 13,8 milhões de desempregados. No país, há 13 milhões de pessoas na extrema pobreza, aquelas que, de acordo com o Banco Mundial, vivem com até R$ 151 por mês, e 3, 52 milhões de brasileiros que vivem na pobreza com renda de até R$ 436 por mês.  

FOME  

Em setembro deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o Brasil tem 10,3 milhões de pessoas vivendo em insegurança alimentar grave, ou seja, passam por privação severa no consumo de alimentos podendo chegar à fome, incluindo crianças.  

Os dados analisados são de 2017 e 2018 e maiores que os de 2013 quando o estudo foi feito com base na antiga Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad). 

A pesquisa mostrou ainda que, numa população de 207,1 milhões de habitantes, 56 milhões estão em insegurança alimentar leve e 18,6 milhões de pessoas, em insegurança alimentar moderada.  

O estudo ressaltou também que lares chefiados por mulheres e negros são os que passam mais fome, perfil esse dos assistidos pelo Rio de Paz. Desse total, 7,7milhões são moradores de área urbana e 2,6 milhões de regiões rurais. 

De acordo com a ONU, a pandemia deve elevar o número de pessoas subnutridas este ano no mundo. Em 2019, 690 milhões enfrentavam essa situação. Em 2020, estima-se que até 132 milhões de pessoas a mais poderão passar fome. 

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