Teatro

Espetáculo sobre a “fome” é desenvolvido em Brasília

A Cia. VíÇeras é um coletivo artístico iniciado em 2010, nascido nas entranhas do Espaço Cultural Renato Russo, e tem como proposta trabalhar diferentes linguagens artísticas, como a dança, o audiovisual, as artes plásticas, o teatro e a performance, sempre em função da produção autoral de acordo com as diferentes formações e linhas de pesquisa de cada integrante. A cia. tem como carro-chefe a investigação e criação teatral autoral e colaborativa, agindo como uma rede de apoio artística, em que os integrantes colaboram para a realização e potencialização dos projetos uns dos outros, constituindo uma identidade caleidoscópica, rica e plural. Agora, em 2019, lança seu mais novo espetáculo: BOCA SECA!

Em nove anos de atividade, a Cia. VíÇeras surgiu como um Núcleo de Experimentação Cênica. Aos poucos, o conceito de criação colaborativa passou a fazer parte da filosofia do grupo, que já produziu os espetáculos “Claustro” (2010), “Um ensaio repetitivo e monótono” (2011), “Godô chegô!” (2011/2013), “Frangx Fritx” (2014/2015) e o mais recente “Isto também passará, antes que eu morra” (2018/ 2019). Agora, com o projeto BOCA SECA, a Cia. continuará a provocar, criar levar o teatro e suas multilinguagens adiante, mantendo forte a cena artística brasiliense. Como referência para a criação de partitura coreográfica e conceitual, o grupo faz uso de importantes obras da literatura nacional: A Fome (Rodolfo Teófilo, 1890); Vidas Secas (Graciliano Ramos, 1938), Homens e Caranguejos (Josué Castro, 1967) e A Hora da Estrela (Clarice Lispector, 1977). Esta voz nacional dialogará com o ícone da literatura mundial Franz Kafka, com o conto Um Artista da Fome (1922). O motivo da realização do projeto, além da insatisfação social e política, é a ampliação de pesquisa iniciada em 2017, da qual surgiu uma cena curta de quinze minutos selecionada por curadoria especializada para o Festival 1⁄4 de Cena, com excelente recepção do público, da crítica e dos curadores.

Durante a produção da obra, três estudantes de diferentes cursos universitários em artes (artes cênicas, artes visuais e música) passaram a trabalhar como assistentes técnicos da obra. Os estudantes contemplados tornaram-se colaboradores criativos e estão em diálogo com profissionais da área. Dessa forma, o projeto legitima o estímulo de inserção desses estudantes no mercado criativo local.

De acordo com Caê Villaça, um dos assistentes técnicos do espetáculo, às vezes, o processo de construção da obra é feito por sequências de tentativas e erros, experimentações, exaustões e lugares de não-acesso. Sobre o tema da fome e as experimentações da intérprete Déborah Alessandra, Henrique Ouro Fino, também assistente técnico, comenta que existem vários momentos no espetáculo que transitam entre a calma, a loucura e a raiva. Desse caos, total, é possível perceber que os elementos cênicos estão em sintonia e que, de acordo com ele, parecem fazer parte de um organismo só, que é vivo, ardente e feroz ao mesmo tempo. Já Pralads Dasa, o terceiro assistente técnico, comenta que no começo dos ensaios, havia a vontade que experimentar, brincar e anotar tudo o que viesse à mente nesse processo. Pralads faz ainda indagações que dizem muito sobre a construção do espetáculo BOCA SECA: “Como se traz esse sentimento à tona? Como se apresenta o áspero, seco e dolorido processo da fome a quem senta numa sala escura acolchoada e olha fixo para um palco?”.

Para o diretor Roberto Dagô, “os projetos desenvolvidos com o Fundo de Apoio à Cultura tem sido elaborados cada vez com maior complexidade e criatividade em Brasília. É impressionante como esse investimento se desdobra em tantos benefícios para a cadeia produtiva e simbólica da cidade”. Dagô ainda convida o público a conhecerem melhor a intensa rotina de trabalho e a beleza dos projetos desenvolvidos pelos artistas da cidade. “Assim como o nosso, os projetos estão articulando facetas de formação de plateia, capacitação de profissionais, programas educativos de parceria com instituições de ensino médio e básico, inserção profissional de jovens artistas, pesquisa de linguagem e difusão da arte produzida na cidade pelo país e pelo mundo.” Para Dagô, a linguagem cênica produzida na Capital é cada vez mais reconhecida pela sua força vanguardista e sua identidade. “Meu intuito, desde que fundei a víÇeras com meus colegas, é de contribuir e aprofundar esse potencial de linguagem extraordinário das artes vivas do DF.”

Estas são questões que desafiam os realizadores do espetáculo “Boca Seca” e que reforçam a importância de estimular, manter e fruir o trabalho de coletivos, cias e grupos de pesquisa da área artística. Além da troca de conhecimento e experiência, o projeto ainda gera renda e sustentabilidade, movimentando a cadeia produtiva das artes no DF.

BOCA SECA
Este projeto conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

Confira a agenda de apresentação do espetáculo:

Local: Espaço Cultural Renato Russo – Teatro Galpão
508 Sul
Dias 14, 15 e 16 de junho
Horário: Sexta e sábado às 20h e domingo, às 19h
Ingresso: R$10 (meia)

Local: Teatro SESC Garagem – 913 Sul
Dias 21, 22 e 23 de junho com roda de conversa ao final.
Hora: 20hs
Ingresso: R$5 (meia)
Obs.: dia 21 com Audiodescrição e roda de conversa ao final.

Local: Teatro SESC Paulo Autran – CNB 12
Dias 25 e 26 de junho
Hora: 15h
Público Alvo: Aberto a estudantes de ensino médio, da rede pública de Taguatinga
Entrada Gratuita
Dia 27 de junho
Hora: 20h Público Alvo: Aberto ao público em geral, com roda de conversa ao final.

Entrada Gratuita.
Com distribuição de ingressos 1 hora antes, no local.


Classificação indicativa: 16 anos

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