Especial

Cancelamento de projetos deixa o DF carente de cultura

Em uma ação política e unilateral os atuais Governo de Brasília e gestão da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF cancelaram, no início deste ano, o Edital “Áreas Culturais 2018”, que previa a realização de 269 projetos e eventos culturais habilitados.

Contrário à atitude, o Ministério Público de Contas do DF entrou com pedido de medida cautelar junto ao Tribunal de Contas do DF e que foi acolhida pela Corte. Também se mostraram contrários a OBA-DF e a Fecomércio.

As consequências do cancelamento dos projetos começam a reverberar por quase todo o DF, esvaziando espaços, públicos e privados, de vida e arte. O que deixa a população carente de opções culturais gratuitas ou a preços acessíveis, e, o mais importante, próximas de suas casas.

Quando as chuvas cessam e o período de seca chega, não só os Ipês trazem beleza para o nosso quadradinho. É a época na qual praças, parques e equipamentos públicos [teatros, casas de espetáculos e centros culturais] ganham ainda mais vida com a presença dos brasilienses em eventos ao ar livre e de graça.

O prejuízo causado pelo cancelamento do fomento a eventos, atinge todas as faixas etárias e de todas as classes. O corte, no valor de R$ 25 milhões, impossibilita a realização de eventos e projetos culturais e sociais de todas as áreas e destinados aos mais diferentes públicos.

Desde mostras internacionais de artes cênicas, para bebês e adultos, até festivais nacionais competitivos, que colocam Brasília no mapa mundial de eventos, deixam de acontecer ou, em um ato de resistência, acontecem em formatos bem reduzidos. “Estavam previstos espetáculos do Canadá, Espanha e Bélgica, mas agora somente espetáculos locais compõem o Festival”, lamenta Clarice Cardel, curadora do Festival Primeiro Olhar.

Com o corte de verbas, saem do calendário cultural do DF projetos que promovem, inclusive, a troca entre artistas e produtores locais, nacionais e internacionais, o que enfraquece a imagem e a identidade da Capital Federal como polo de promoção de conhecimento, bem-estar e arte.

Ficam também fora do acesso à comunidade, projetos de cunho social e relevantes para uma expressiva parcela da população. A exemplo do 2º Simpósio Memórias LGBT+, “o cancelamento do FAC afetou ações de difusão e salvaguarda do patrimônio cultural de grupos socialmente estigmatizados”, ressalta Felipe Areda, diretor do Instituto LGBT+ e membro da Rede LGBT de memória e museologia social.

Bem como e, talvez, o mais importante, retira da população a oportunidade de apreciar, a preços bem populares ou de entrada franca, espetáculos inéditos [em Brasília] e de premiadas companhias de outros estados brasileiros assim como internacionais.

Para Rita Andrade, integrante da Frente Unificada da Cultura do DF, ao cancelar o edital ‘Áreas Culturais’ de 2018 “a Secretaria de Cultura e Economia Criativa e o GDF ignoram a importância do FAC no desenvolvimento social e econômico da região”, e acentua “eles estão dando mais um tiro no pé”.

Abaixo, uma lista de Festivais e Mostras entre cancelados ou que serão realizados em um formato bem reduzido. Com isso, deixam de ser gerados cerca de 1.200 empregos, entre diretos e indiretos, e mais de 55 mil moradores de todo o DF ficarão em opções culturais nos próximos meses.

Rock Cerrado, Música e Ecologia

Com edições ininterruptas de 1986 a 1992, o projeto retornou potente em 2015. A edição 2019, prevista setembro de 2019, duraria dois dias com a participação de 14 bandas, 12 delas selecionadas por artistas da cena cultural do DF, em seletivas realizadas nas RA’s do Plano-Piloto, Ceilândia, Valparaíso e Gama, e duas convidadas. O Festival previa palestras em escolas públicas sobre preservação do meio ambiente, plantação de árvores nativas do cerrado, concurso de poesia, entre outras atividades.

Festival itinerante competitivo de repentistas do DF e Entorno

O projeto de fortalecimento da cultura do Repente no DF, por meio de 11 noites de apresentações em Escolas públicas de Ceilândia e Águas Lindas, e final competitiva na Casa do Cantador. O Festival contaria com a participação de 33 artistas do DF e Nordeste, tudo de graça.

2º Festival Criolina

Auto denominado ‘o melhor e mais modesto festival de música brasileira contemporânea da Via Láctea’, o Festival Criolina tem como proposta reunir música, performances e art mapping. Em dois palcos distintos, montados no Setor Comercial Sul, o line-up contaria com a apresentação de mais de 12 artistas, entre profissionais e amadores, de Brasília e vindos de outros estados brasileiros. A edição 2019 estava prevista para acontecer em junho.

7º Gama Festineco

10 dias de festival, com entrada franca, teria a participação de escolas públicas e instituições que trabalham com crianças em situação de vulnerabilidade social. Seriam 20 apresentações de teatro de bonecos com a participação de grupos locais, nacionais e internacionais em espaços culturais, escolas da rede pública, teatros e ruas.

1ª Mostra Semente de Teatro

Apresentaria, ao longo de 14 dias, os sete espetáculos da Cia. Semente de Teatro, criados nos dez anos de existência da companhia, entre os quais alguns já premiados. A mostra aconteceria Espaço Semente, no Gama. O Espaço Semente realizou, com fomento do FAC, o Festival Semente Convida, com espetáculos do RJ e Bahia, e a Circulação Infinito Vazio, por Brasília, Unaí, Formosa e Pirenópolis.

6º Festival Primeiro Olhar

O Festival mais importante do Brasil dedicado à primeira infância, com espetáculos para crianças de 0 a 5 anos, ocorrerá, porém, de forma reduzida. Serão cortadas atividades formativas nas RA’s de Ceilândia e do Varjão e não contará com a presença de companhias do Canadá e Bélgica. Outras edições do Festival já ocorreram em São Paulo, Capital, e em São Bernardo do Campo.

6º Festival Nacional Quando as Ruas Chamam[previsto para abril de 2020]

O evento coloca o DF no mapa do breakingnacional e celebra a cultura hip-hop ao quebrar os paradigmas sociais e extrapola as fronteiras em uma demonstração de civilidade e profissionalismo de seus participantes, milhares de B.boys e B.girls de todo Brasil. O Festival, realizado em Ceilândia, já se consolidou como um dos mais expressivos festivais de dança do gênero, com os reconhecimentos da crítica, da classe artística, dos segmentos especializados e do público.

2º Conexões Urbanas

O projeto trabalha na formação profissional e social de Mulheres e Mulheres Trans. Em março de 2019, seriam oferecidas oficinas gratuitas, com a presença de 15 artistas do DF, SP e RJ, ao longo dos dois dias sobre ocupação de espaços e fortalecimento da arte urbana e suas vertentes integradas [discotecagem, grafite, danças urbanas e rimas].

2º Simpósio Memórias LGBTQ+

Com curadoria do Instituto LGBT+, o Simpósio estava previsto para acontecer em comemoração aos 40 anos de criação do coletivo Beijo-Livre, que inaugurou o movimento LGBT+ no Distrito Federal. O primeiro evento, realizado em 2018 e em parceria com a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, promoveu três dias de encontros intergeracionais sobre memória LGBT+.

Related posts
Especial

Próxima edição do Casamento Comunitário corre em abril

EspecialTeatro

Daniel Calvet chega ao DF com Performance e Dança

Especial

Feira Livre do Riacho Fundo II recebe show de forró

Especial

Especialistas da Lei Geral de Proteção de Dados participam da Campus Party Brasília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.